Cinderela
despertou de um pesadelo, levantou-se correndo e foi mirar se ao espelho, e o
que viu a apavorou. Seu pesadelo não era um sonho ruim era realidade. Ela viu
uma princesa vestida num belo e grande vestido rodado, viu sapatinhos de
cristais nos pés. Horrorizada não sabia ao certo o que sentir, pena, tristeza,
desânimo ou ódio?
Cinderela
ouviu desde criança essa história de uma princesa, um príncipe, um castelo, um
felizes para sempre, mas essa moça achou que tudo nada mais era do que história para dormir, ouviu tantas e tantas vezes que nem se lembra ao certo. Porém história
é uma coisa, realidade é outra. Essa moça chega na adolescência com caráter
forte, já sabe quem quer ser, conhece na sua mente essa mulher que ira
construir. Aos poucos Cinderela vai mudando o guarda roupas, nada de vestidos
rodados, nada de sapatinhos de cristais. Esperar por um príncipe também já era,
resolve que quer estudar, se tornar independente. Morar no mundo encantado também
ficou para trás, ela gosta das metrópoles,
do agito, do barulho. Lembra que
enquanto Branca de neve e Rapunzel namoravam, Cinderela gostava mesmo era de ser
solteira. O que faltava ainda Cinderela também se desfez, agora chama- se Elizabeth,
possui o nome de sua alter ego a rainha virgem da Inglaterra. Pronto.
O que Elizabeth quis que não tenha alcançado. E seus planos não param por aqui,
ela quer sempre mais e mais.
De repente
Elizabeth pensa ter tido um pesadelo, se depara no espelho com a personagem
infantil encarnada nela. Quando olha para o próprio corpo vê Elizabeth, mas o
espelho reflete Cinderela. Elizabeth se deixou atingir pelo excesso de
cobranças, cadê os filhos? Cadê o marido? Cadê a família? E começou a vestir
mortais de príncipes. Deixou de colher conseqüências e partiu para o desespero
de não se tornar solteirona, se deixa humilhar. Aceitou praticar um discurso
oposto a si mesma, ao de sua amada Elizabeth, uma mulher que se recusa a ser
dominada por um homem.
Elizabeth não reconhece a moça
que aceita tão pouco e nasce dentro dela essa escolha. Ela escolhe o ódio. Sim
ódio também pode motivar, ódio da imagem no espelho. Enche aquela imagem de
cobranças.
Enfim é assim
que Cinderela vira cinza para poder dar o nascimento da Fênix Elizabeth. A
velha imagem se desfaz diante de seus olhos e Elizabeth consegue ganhar a própria
cor e vida.
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