sábado, 19 de março de 2016

Ódio no felizes para sempre

Cinderela despertou de um pesadelo, levantou-se correndo e foi mirar se ao espelho, e o que viu a apavorou. Seu pesadelo não era um sonho ruim era realidade. Ela viu uma princesa vestida num belo e grande vestido rodado, viu sapatinhos de cristais nos pés. Horrorizada não sabia ao certo o que sentir, pena, tristeza, desânimo ou ódio?
Cinderela ouviu desde criança essa história de uma princesa, um príncipe, um castelo, um felizes para sempre, mas essa moça achou que tudo nada mais era do que história para dormir, ouviu tantas e tantas vezes que  nem se lembra ao certo. Porém história é uma coisa, realidade é outra. Essa moça chega na adolescência com caráter forte, já sabe quem quer ser, conhece na sua mente essa mulher que ira construir. Aos poucos Cinderela vai mudando o guarda roupas, nada de vestidos rodados, nada de sapatinhos de cristais. Esperar por um príncipe também já era, resolve que quer estudar, se tornar independente. Morar no mundo encantado também ficou para trás, ela gosta das  metrópoles,  do agito, do barulho. Lembra que enquanto Branca de neve e Rapunzel namoravam, Cinderela gostava mesmo era de ser solteira. O que faltava ainda Cinderela  também se desfez, agora chama- se Elizabeth, possui o nome de sua alter ego a rainha virgem da Inglaterra. Pronto. O que Elizabeth quis que não tenha alcançado. E seus planos não param por aqui, ela quer sempre mais e mais.
De repente Elizabeth pensa ter tido um pesadelo, se depara no espelho com a personagem infantil encarnada nela. Quando olha para o próprio corpo vê Elizabeth, mas o espelho reflete Cinderela. Elizabeth se deixou atingir pelo excesso de cobranças, cadê os filhos? Cadê o marido? Cadê a família? E começou a vestir mortais de príncipes. Deixou de colher conseqüências e partiu para o desespero de não se tornar solteirona, se deixa humilhar. Aceitou praticar um discurso oposto a si mesma, ao de sua amada Elizabeth, uma mulher que se recusa a ser dominada por um homem.
Elizabeth não reconhece a moça que aceita tão pouco e nasce dentro dela essa escolha. Ela escolhe o ódio. Sim ódio também pode motivar, ódio da imagem no espelho. Enche aquela imagem de cobranças.
Enfim é assim que Cinderela vira cinza para poder dar o nascimento da Fênix Elizabeth. A velha imagem se desfaz diante de seus olhos e Elizabeth consegue ganhar a própria cor e vida.

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